
Uma das características do inglês é o uso do double negative, ou negação dupla.
“I ain’t gonna work on Maggie’s farm no more”
(trecho da música Maggie’s Farm de Bob Bylan)
Em português quando falamos “não tem problema não” ou “não tem ninguém aqui”, nós estamos usando uma negação dupla. Ora, a lógica diz que quando usa-se dois nãos um anula o outro tornando a afirmação positiva. Se não tem problema não, quer dizer que tem problema sim
Isto é o que dizem as regras gramaticais. Na prática a dupla negação é usada para enfatizar a negação, pra dizer que realmente “não tem problema mesmo”, que “não tem alma viva aqui” e por aí vai. É um reforço. Que acaba virando figura de linguagem ou retórica: o não falado duas vezes é mais forte do que um só. Detalhe: a negação pode ser em forma de no como também never, neither, etc.
O fato é que o double negative começou a morrer no século XVII, sendo considerado errado a partir desta época (também influenciado pelas regras da matemática). Nesta mesma época começaram a surgir as primeiras recomendações sobre gramática em forma de livros, definindo o que era certo e errado dentro do inglês. Mas como todos sabem, a língua não é controlada por nenhum consenso linguístico, governo ou organização qualquer que seja, e ainda hoje, no século XXI o double negative é largamente utilizado. Embora não considerado linguisticamente correto, é justo que se diga.
“We don’t need no education.
We don’t need no thought control.”
(trecho da música The Wall de Pink Floyd)
Hoje o double negative é usado dentro de algumas variações ou dialetos do inglês “padrão” como o Ebonics e no inglês regional, como aquele usado no interior dos Estados Unidos, e o famoso dialeto Cockney de Londres. Interessante também notar que em algumas línguas como o russo o double negative é a gramática correta, ou seja, uma negação única é erro gramatical.
Se para o observador mais crítico o double negative torna-se um positivo, já o contrário também pode acontecer: duas afirmações tornarem-se uma negativa. No português temos o exemplo “pois sim!” quando alguém expressa desaprovação. No inglês temos “yeah, right” também com o mesmo sentido, algo como “tá, sei”. Ou ainda o “yeah, yeah, yeah” como “tá, tá, tá”.
Fontes:
http://www.askoxford.com/worldofwords/wordfrom/negative/
http://en.wikipedia.org/wiki/Double_negative